Disforia de Gênesis trata do não-pertencimento no mundo desde o nascimento. Sobre sentir que o corpo nos limita e prende nessa existência, mas também sobre como a sociedade em si é desconforto e viver é lidar com essas consternações.

As agonias do ser foram separadas em três partes: Ratio, Persona e Affectio. Ratio são os poemas que tratam sobre as questões das relações interpessoais, ideológicas e políticas. Persona fala sobre a construção das identidades (inclusive acerca de gênero, mas não somente isso, sobre o desenvolvimento do indivíduo contemporâneo e múltiplo). Por fim, Affectio fala sobre as relações amorosas, efêmeras, líquidas, e que não nos cabem, pois a alteridade também é um desafio ao “eu”.

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na primeira vez

meu celular descarregou

— acabei pernoitando —

"sabe como é, perigoso pegar Uber a essa hora"

na segunda vez

deixei alguns pertences

"sabe como é, mais prático deixar logo uma escova aqui, pro próximo encontro"

na terceira vez

meu celular se conectou

[automaticamente

na rede doméstica

na quarta vez

abri a geladeira sem permissão

"sabe como é, bateu aquela larica da madruga"

na quinta vez

discutimos para escolher

se o sorvete seria da Jesus de Nazaré

ou da Santa Clara

"sabe como é, prefiro sabores regionais”

"sabe como é, prefiro gelato"

na sexta vez

quase-sem-querer

sussurrei

"sabe como é, acho que te amo"

na sétima vez

você trocou o Wi-Fi

"sabe como é, os vizinhos descobriram que a senha é o aniversário da Pandora"

na oitava vez

bem…

não teve uma oitava vez.

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